O degu, muitas vezes chamado de “esquilo-chileno” apesar de não ser um esquilo de verdade, é um roedor sul-americano cada vez mais mencionado em listas de pets exóticos “diferentes e inteligentes”. É, de fato, um animal curioso, social e ativo durante o dia — raro entre pequenos mamíferos exóticos, que costumam ser noturnos. Mas antes de se encantar, há um ponto que poucos conteúdos sobre a espécie mencionam: a situação legal do degu no Brasil é mais restrita do que a de primos como a chinchila e o porquinho-da-índia. Este guia trata esse ponto com a seriedade que merece, além de cobrir alimentação, convivência e saúde.
O degu é legalizado pelo IBAMA no Brasil?
Vale reforçar: listas e regulamentações ambientais podem ser atualizadas, e a pesquisa para este artigo não encontrou um criador comercial de degus amplamente estabelecido e regularizado no Brasil, o que sugere um mercado ainda pouco consolidado por aqui, diferente do que ocorre em países como Estados Unidos e Reino Unido, onde a espécie é um pet relativamente comum. Antes de qualquer decisão de compra, confirme a situação diretamente no site oficial do IBAMA (gov.br/ibama) ou no órgão ambiental do seu estado, e exija documentação de origem do vendedor.
Comportamento: uma exceção entre os pequenos mamíferos exóticos
Diferente de hamsters e porquinhos-da-índia, que são majoritariamente crepusculares ou nos horários de menor luz, o degu é diurno — mais ativo pela manhã e no início da noite, com um padrão de atividade bem mais parecido com o de um ser humano. É também descrito como altamente social, inteligente e brincalhão, comunicando-se por uma variedade de chilreios e vocalizações entre os membros do grupo.
Degu pode viver sozinho?
Não, e esse é um dos pontos mais importantes do cuidado com a espécie. O degu é extremamente social e deve viver sempre em pares ou pequenos grupos do mesmo sexo — mantê-lo isolado está associado a solidão, apatia e comportamentos de autolesão. Isso é o oposto da recomendação para o hamster-sírio, por exemplo, reforçando por que é essencial pesquisar a espécie específica antes de replicar cuidados de outro pequeno mamífero.
Habitat e gaiola
Para um par de degus, o espaço mínimo recomendado por fontes veterinárias é de aproximadamente 70 x 45 x 70 cm, com múltiplos andares para estimular a escalada — comportamento natural da espécie. As barras da gaiola devem ter espaçamento de no máximo 1,3 cm, o piso deve ser sólido e acolchoado (não vazado, para proteger as patas), e a forração ideal é à base de papel, nunca cedro, maravalha aromática ou areia para gato, que podem causar problemas respiratórios. Evite também gaiolas ou acessórios de plástico — degus são roedores vorazes e costumam destruir plástico rapidamente, criando risco de ingestão.
Roda de exercício
Uma roda sólida (sem grades, que podem prender as patas) de pelo menos 25 a 30 cm de diâmetro é recomendada para permitir exercício seguro, de forma semelhante ao que já detalhamos no guia de hamsters.
Banho de areia
Assim como a chinchila, o degu precisa de banhos regulares em areia específica para chinchila (nunca areia de gato ou areia de construção) — cerca de duas vezes por semana, em um recipiente raso oferecido fora da gaiola. O banho ajuda a manter o pelo saudável e remove o excesso de oleosidade natural.
Por que degus desenvolvem diabetes com facilidade?
Se há um ponto onde o degu exige mais atenção do que qualquer outro pequeno mamífero já coberto neste site, é a alimentação. A espécie tem propensão real e documentada a diabetes e obesidade, de forma semelhante ao que ocorre em humanos — o que torna o controle de açúcar na dieta uma questão de saúde, não apenas de peso.
A explicação, segundo fontes veterinárias especializadas, combina dois fatores. Primeiro, as próprias moléculas de insulina e glucagon do degu têm estrutura diferente das de outros mamíferos, o que parece dificultar o metabolismo normal da glicose na espécie. Segundo, há um desencontro evolutivo: na natureza, o degu se desenvolveu em uma região árida do Chile, alimentando-se de gramíneas secas, raízes, cascas e sementes pobres em açúcar — um padrão muito diferente das rações comerciais energéticas, frutas e sementes oleaginosas disponíveis em cativeiro. O resultado é um metabolismo que não está preparado para lidar com picos frequentes de açúcar.
A base da alimentação deve ser feno à vontade (timóteo ou feno de gramíneas), complementado por apenas 1 a 2 colheres de sopa por dia de uma ração específica para degu, com baixo teor de açúcar. Vegetais como alface-romana e pimentão podem ser oferecidos em pequenas quantidades, algumas vezes por semana.
Saúde: o que observar
- Diabetes e obesidade — diretamente ligadas à dieta; o controle rigoroso de açúcar é a principal forma de prevenção.
- Catarata — condição comum na espécie, consequência direta de níveis altos de açúcar no sangue sustentados por diabetes não controlada.
- Doença dentária — como em todo roedor, os dentes crescem continuamente; feno à vontade ajuda a desgastá-los naturalmente.
Sinais de diabetes em degus: o que monitorar
Como diabetes é a condição de saúde mais séria e mais específica da espécie, vale detalhar os sinais que um tutor deve observar no dia a dia — quanto mais cedo identificados, maior a chance de manejo bem-sucedido.
- Aumento repentino na ingestão de água (polidipsia) — o bebedouro esvazia mais rápido do que o normal, ou a forração fica molhada com mais frequência.
- Aumento no volume de urina (poliúria) — segue diretamente o aumento da sede.
- Opacidade nos olhos (catarata) — costuma ser, na prática, o primeiro sinal que o tutor realmente percebe, já que pode se formar em poucas semanas. Quando surge, geralmente indica que a diabetes já está presente, não que está apenas começando.
- Mudança de peso sem explicação — para mais ou para menos, mesmo sem alteração perceptível no apetite.
- Queda de interesse em atividades — menos disposição para correr, escalar e explorar, às vezes com irritabilidade ou isolamento.
Sinais mais avançados incluem fraqueza nas patas traseiras, cicatrização lenta de ferimentos e maior suscetibilidade a infecções. Letargia severa, perda total de apetite, incapacidade de se levantar ou convulsões são emergência veterinária imediata. Diante de qualquer um dos sinais iniciais, o ideal é já agendar uma consulta — diabetes em degus é uma condição que se maneja melhor quanto antes for identificada, embora a perda de visão associada à catarata costume ser permanente mesmo com tratamento.
Fontes veterinárias recomendam uma consulta com especialista em exóticos logo após a aquisição do animal, e depois anualmente, além de sempre que houver qualquer sinal de mudança de comportamento ou apetite.
Quanto custa ter um degu?
Não há, até o momento, um valor de aquisição confiável e amplamente verificável para divulgar aqui — reflexo direto da escassez de criadores regularizados no Brasil, discutida na seção sobre legislação. Qualquer preço específico encontrado online deve ser tratado com cautela até confirmação direta com um vendedor que comprove documentação de origem legal. Para comparar o custo de espécies com mercado mais consolidado, veja nosso guia de custos reais de pets exóticos no Brasil.
Erros comuns de quem considera ter um degu
- Comprar sem confirmar a situação legal e a origem do animal. Diferente de hamster e cobaia, o degu não está na lista de fauna doméstica do IBAMA — pular essa verificação é um risco real.
- Oferecer frutas “de vez em quando” como petisco. Para uma espécie propensa a diabetes, não existe quantidade realmente segura de açúcar frequente.
- Adquirir um único animal. O degu sofre de verdade com isolamento — é sempre par ou grupo, nunca um só.
- Segurar o animal pela cauda. Pode causar lesão permanente por desluvamento da pele.
- Usar forração aromática (cedro) ou areia de gato. Ambas estão associadas a problemas respiratórios na espécie.
Checklist antes de adotar um degu:
- Confirmei a situação legal atual diretamente com o IBAMA ou órgão estadual
- Exigi documentação de origem do vendedor ou criador
- Vou adquirir pelo menos dois animais do mesmo sexo, nunca um sozinho
- Tenho uma gaiola de pelo menos 70 x 45 x 70 cm, com piso sólido
- Entendi que a dieta deve ser praticamente livre de açúcar, para sempre
- Já identifiquei um veterinário com experiência em exóticos na minha região
Perguntas frequentes
O degu é legalizado pelo IBAMA no Brasil?
O degu (Octodon degus) não consta na lista oficial de fauna doméstica do IBAMA (Anexo I da Portaria nº 93/1998), diferente de espécies como chinchila, cobaia e hamster, que estão nessa lista. Isso significa que, tecnicamente, o degu é tratado como fauna exótica e pode exigir autorização e comprovação de origem legal para ser mantido como pet. Antes de adquirir, confirme a situação atualizada diretamente no site oficial do IBAMA ou no órgão ambiental do seu estado.
Degu pode comer frutas e alimentos doces?
Não é recomendado. Degus têm propensão real a diabetes e obesidade, de forma semelhante a humanos. Frutas, ervilhas, milho, batata, mel e melaço devem ser evitados, assim como sementes. A dieta deve ser baseada em feno à vontade e uma pequena quantidade de ração específica com baixo teor de açúcar.
Degu pode viver sozinho?
Não. O degu é uma espécie extremamente social e deve viver sempre em pares ou pequenos grupos do mesmo sexo. Mantê-lo sozinho está associado a solidão, apatia e comportamentos de autolesão.
Qual a expectativa de vida de um degu?
Entre 5 e 9 anos em cativeiro, podendo passar de 8 anos com os cuidados corretos — uma expectativa de vida bem mais longa do que a de hamsters.
Veredito Pet Exótico: vale a pena?
O degu é um animal genuinamente interessante — social, diurno, inteligente e com uma expectativa de vida que recompensa quem investe tempo na relação. Mas, no contexto brasileiro específico, ele carrega dois desafios que exigem honestidade: uma situação legal mais restrita do que a de outros pequenos roedores já populares por aqui, e uma exigência dietética rígida e vitalícia, dada a propensão real a diabetes. Vale a pena para quem confirma a documentação de origem antes de comprar, está disposto a manter pelo menos dois animais juntos, e consegue sustentar uma dieta sem açúcar de forma consistente — não para quem busca o pet “mais fácil” da lista.
Como este conteúdo foi produzido
Este conteúdo foi desenvolvido com base no texto oficial do Anexo I da Portaria IBAMA nº 93/1998 (lista de fauna doméstica), em literatura veterinária especializada sobre cuidados, dieta e condições de saúde de degus (incluindo risco de diabetes, obesidade e catarata), e em referências técnicas sobre dimensionamento de gaiola e enriquecimento ambiental para a espécie.
As informações aqui apresentadas possuem caráter educativo e informativo. Para diagnósticos ou tratamentos de saúde, consulte sempre um médico-veterinário especializado em animais exóticos. Este artigo ainda não passou por revisão técnica formal com profissional, e a situação legal descrita deve ser reconfirmada diretamente com o IBAMA antes de qualquer decisão de compra.
Última atualização: outubro de 2026.

